Área molhada e área molhável. Mudança de conceito que gera mudança de hábito.

23.11.2017

Quem já ouviu falar em “área fria”? Esse conceito imperava até pouco tempo atrás. Sabíamos que eram os ambientes da casa que recebiam água, tais como: cozinhas, banheiros, lavanderias, varandas.

 

É um hábito bem comum por estas bandas a lavagem de áreas frias com bastante água e produtos de limpeza, certo? Por isso mesmo, todas elas eram impermeabilizadas e contavam com ralos e caimentos para auxiliar no escoamento e limpeza, pois já sabemos que o acúmulo de água causa infiltração e problemas para as estruturas e sua durabilidade (leia sobre isso clicando aqui).

 

Com o tempo, o conceito de “área fria” foi dividido em “área molhada” e “área molhável”, o que dividiu também a opinião de engenheiros e arquitetos, porque junto com cada um destes conceitos está atrelada ou não a exigência de impermeabilização. Explicamos.

 

 

Esses conceitos foram publicados na norma brasileira NBR 15575 Edificações habitacionais – Desempenho, em vigor desde julho/2013, onde há critérios que devem ser respeitados na construção das habitações brasileiras, entre eles o de Estanqueidade, nosso assunto, e nela estão definidas:

 

Áreas molhadas que são

 

"áreas da edificação cuja condição de uso e exposição poderá resultar na formação de lâmina de água (por exemplo banheiro com chuveiro, área de serviço e áreas descobertas)"

 

Áreas molháveis que são

 

"áreas da edificação que recebem respingos de água decorrente da sua condição de uso e exposição e que não resulte na formação de lâmina de água (por exemplo, banheiro sem chuveiro, cozinhas e sacadas cobertas)"

 

 E áreas secas são 

 

"áreas onde, em condições normais de uso e exposição, a utilização direta de água (por exemplo, lavagem com mangueiras, baldes de água, etc) não está prevista nem mesmo durante a operação de limpeza".

 

Simplificando: áreas molhadas são aquelas onde se pode formar uma pequena camada de água; áreas molháveis são aquelas onde não será formada essa camada; e em áreas secas, água nem pensar!

 

Dessas áreas,  apenas os pisos das "áreas molhadas" têm a exigência de serem estanques, de impedir a penetração ou passagem de água. E, para isso, precisam ser impermeabilizados. Só nas "áreas molhadas"!

 

Tá, mas o que significa tudo isso? Onde entra a mudança de hábito?

 

Vamos lá!

 

Desde a publicação dessa norma, por se tratarem de “áreas molháveis” e por não ser obrigatória a estanqueidade, em algumas construções não se executa mais a camada impermeabilizante nos sistemas de pisos de cozinhas, banheiros (com exceção do box, é claro!) e até varandas. E na ausência de impermeabilização devemos evitar molhadeira!

 

Em outras palavras, é o fim da lavagem dessas “áreas molháveis” com mangueiras ou baldes de água. Agora só no pano úmido com produtos de limpeza. 

 

Nas varandas, que nem sempre são fechadas e recebem água de chuva, o segredo é secar assim que possível para não empoçar, infiltrar... aí você já sabe.

 

Eis a mudança de hábito! No caso, de limpeza da casa. Difícil vai ser explicar para a vovó que agora não pode mais lavar a cozinha ;)

 

E como saber se sua cozinha é “área molhável” ou “área molhada”? Esta informação deve estar contida no Manual de Uso e Operação do seu imóvel. Aliás, quando for comprar um novo imóvel, procure saber sobre isso. Há advogados que advertem que esta informação deve estar clara não apenas no Manual de Uso e Operação, como também no Memorial Descritivo, que você recebe quando vai assinar o contrato de compra e venda, considerando que este é um direito do consumidor.

 

Caso você não tenha o manual ou não tenha como obter esta informação, uma dica - mas que não é uma regra, ok?! - é procurar por ralos nessas áreas. Em sua cozinha ou banheiro não tem ralo? Então, limpeza só com pano úmido mesmo.

 

Exemplo de "área molhável" - cozinha sem ralos.

 

 Exemplo de "área molhada" - banheiro com ralo no piso.

 

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