Envelhecer com dignidade | Um senhor de respeito: o Edifício Planalto

24.01.2018

Ah, o envelhecimento... quem nunca se preocupou com isso? Quem nunca se viu diante do espelho reparando nos sinais dos tempos? Essa é uma preocupação que se ainda não te pegou, uma hora ou outra, vai te pegar.

 

O envelhecimento chega para todos e para tudo! A questão é: como envelhecer com a tal dignidade? Dignidade vem do Latim dignitas, “o que tem valor” e dignus, “valioso, adequado, compatível com os propósitos”. Como envelhecer com isso tudo aí?

 

Existem técnicas para isso, preventivas e corretivas.

 

No caso de nós, seres humanos, a prevenção vem com as consultas médicas, os exames de rotina, com escolhas de alimentação, exercícios físicos etc., que resultam num estilo de vida. Plantamos hoje e colhemos daqui alguns anos. Também lançamos mão das ações corretivas, que vão desde o uso de cremes mil, procedimentos estéticos, até as cirurgias plásticas ou cardíacas, vasculares, ortopédicas... e por aí vai  :-L

 

Para as edificações o caso é o mesmo. Elas envelhecem, perdem desempenho, surgem os problemas e isso é totalmente normal e esperado. E, da mesma forma, as edificações podem receber ações preventivas e corretivas para chegar mais longe com elegância, segurança, transmitindo respeito, enfim, sendo compatível com seus propósitos.

 

“Saber envelhecer é a obra-prima da sabedoria e um dos capítulos mais difíceis na grande arte de viver” Hermann Melville, poeta norte-americano

 

Como um belo exemplo de envelhecer com dignidade, ele: o Edifício Planalto.

 

Primeiro, uma rápida introdução.

 

Tendo como autor do projeto João Artacho Jurado, empresário paulista e proprietário da Construtora Monções, o Edifício Planalto traz algumas de suas assinaturas: mistura de estilos, formas, cores e texturas nas fachadas, marquises curvas e marcantes, contrastando com os caixotes monocromáticos das construções das décadas de 40 e 50; preocupação com a funcionalidade: apartamentos de diferentes metragens, garagens subterrâneas; e lazer: terraço e salão de festas no topo com uma bela vista, preparados para grandes eventos. E de pensar que hoje as festas do tipo rooftop estão na moda... visionário esse Artacho Jurado!

 

 

Jurado não era formado, pois seu pai, anarquista, não permitiu que ele vivesse esse tipo de dominação. Foi o idealizador de diversos edifícios em São Paulo e Santos, mas o reconhecimento de suas obras foi tardio por não poder assinar seus projetos. É considerado arquiteto autodidata.

 

O Edifício Planalto, construído em 1956 no bairro Bela Vista, no encontro das ruas Maria Paula e Santo Amaro, está incluso na lista das edificações tombadas pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo – CONPRESP, publicada em 2002. Desde então, toda e qualquer intervenção requer prévia comunicação e aprovação deste departamento. O tombamento de quase todo o bairro paulista se deve à sua importância histórica e urbanística.

 

Agora sim, vamos ao protagonista.

 

 

Inúmeras são as ações que a síndica Águeda, que gentilmente nos recebeu para uma conversa, juntamente com sua equipe de conselheiros, está colocando em prática para recuperar e manter saudável o Edifício Planalto. Eles são proprietários e moradores, o que faz diferença na administração de seus (próprios) bens.

 

Quando ela iniciou suas atividades como síndica, em 2015, as coisas não iam bem. Havia entulho amontoado na cobertura, pastilhas da fachada se desprendendo, infiltrações, cupins e vidros quebrados no salão de festas, instalações de gás deterioradas e muitos outros problemas. Até interditado pela Prefeitura estava o edifício por problemas com a segurança de instalações elétricas e de proteção contra descargas atmosféricas, em vias de evacuação :-o

 

Com organização e dedicação, o Condomínio tomou ações que mudaram o presente e o futuro do Edifício Planalto. Empresa de Engenharia Elétrica foi contratada para fazer o projeto de readequação de instalações e depois para as obras, revertendo o processo de interdição. Praticamente tudo foi trocado, pois eram “originais de fábrica”, instalados em uma época que tínhamos meia dúzia de eletrodomésticos em casa. Hoje as coisas estão bem diferentes, a demanda por energia num edifício cresceu muuuito e as instalações precisam ser adaptadas.

 

As instalações internas de gás foram totalmente substituídas, pois as antigas estavam tão deterioradas a ponto de a maioria das unidades utilizar botijões de gás.

 

As instalações hidráulicas, de ferro fundido, estão sendo substituídas em um processo gradual, aproveitando o cronograma das obras das unidades autônomas. Quando algum condômino vai fazer obra com “quebra-quebra” em seu apartamento, o Condomínio aproveita e troca as tubulações por peças em cobre, evitando despesas extras com demolição e recomposição.

 

E tem mais. Os elevadores estão sendo modernizados e foram aterrados individualmente. O piso do hall principal, corredor social e das varandas do térreo (um mosaico em mármore e granilite) e o revestimento das paredes dessas áreas (em mármore) foram todos restaurados. Também foi recuperado o granilite das escadas de serviço e dos pisos dos halls dos elevadores.

 

O majestoso salão demandou um pacote de obras. A laje da cobertura recebeu nova impermeabilização, o piso em taco foi lixado, calafetado e resinado, as portas que dão acesso ao terraço foram substituídas por novas, no mesmo modelo das antigas, que estavam empenadas e sem possibilidade de reaproveitamento. Além disso, um minucioso trabalho foi feito no madeiramento e vidros na face do salão com vistas para o Vale do Anhangabaú, que estavam deteriorados, com cupins, com partes substituídas por plásticos, com quebras. Tudo isso feito pela equipe de manutenção do Condomínio: um zelador, o Júnior, e dois outros funcionários. Para a recuperação dos vitrôs da parede com vistas para a Avenida Paulista foi contratada empresa especializada.

 

As fachadas... bom, esse é um caso à parte.

 

Uma das primeiras ações de Águeda ao assumir o Condomínio foi contratar o serviço de inspeção das fachadas, o projeto de recuperação e dar entrada na liberação de obras junto ao CONPRESP.

 

Embora a questão dos destacamentos da fachada seja urgente, pois podem provocar acidentes com os passantes, o processo de aprovação durou cerca de três anos! Finalmente o Condomínio conseguiu a aprovação da recuperação, que se inicia neste mês de janeiro e tem previsão para ser concluída em julho deste mesmo ano.

 

Ufa!

 

E tudo isso sendo feito sem perder de vista o controle financeiro de um fundo que, apesar dos gastos, só aumenta. Claro que conta com uma ajuda extra das locações da cobertura para fotos, reuniões, pequenos e restritos eventos.

 

Porém, em breve o salão será reaberto a locações para eventos maiores, assim que for obtida a autorização do Corpo de Bombeiros, já solicitada pelo Condomínio. Ele foi cenário de gravação de novelas, filmes, clipes e comerciais. Aqui fica uma ótima dica para quem quer fazer uma senhora rooftop party, seu casamento, um ensaio fotográfico, afinal São Paulo tem sua magia, principalmente se vista de cima de um icônico marco da arquitetura! #ficaadica

 

Atualmente, o Condomínio conta com a consultoria de um arquiteto, que auxilia a síndica na avaliação e aprovação dos Planos de Reforma, exigidos para quem quer fazer obra no Edifício Planalto.

 

Com este rol de ações e intenções, com planejamento e com o apoio de profissionais especializados, esse formoso edifício permanecerá compatível com seu propósito por muitas décadas, esbanjando beleza e se valorizando durante o envelhecimento. Isso sim é envelhecer com dignidade! :-)

 

Nunca é tarde para começar a se preocupar com o envelhecimento e tomar ações para diminuir seus impactos. Mas, vale lembrar que ações corretivas podem ser até 25 vezes mais caras se comparadas com ações preventivas, conforme a Lei de Sitter ou Lei da Evolução de Custos (promessa de tema de futuro post). Portanto, elaborar e implantar um plano de manutenção preventiva das estruturas, de seus componentes e também da sua saúde ainda é a melhor solução do ponto de vista técnico e econômico. #dicadeouro

 

“Envelhecer é inevitável. Ficar velho é opcional” Autor desconhecido

 

 

 

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